História Da Imigração Da Família Stávale
e introdução à genealogia

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Ao final do século XIX e início do século XX a Europa enfrentava uma crise econômica e o proletariado era massacrado pela burguesia dominante. Na Itália, após a “reunificação”, conquistada graças aos feitos heróicos de Garibaldi na metade do século XIX, a crise econômica tornou-se ainda mais grave, resultando em um excesso de contingente faminto nas áreas urbana e, sobretudo, rural, principalmente no sul.

As Américas, em franca expansão, surgem com fortes atrativos para esse contingente, a esperança, o trabalho e a dignidade. Inicia-se então um processo imigratório que acabou beneficiando o governo italiano, por livrar-se daquela massa excedente, os países que necessitavam e incentivavam a imigração, os contratantes da mão de obra assalariada do campo e, anos mais tarde, das indústrias, as empresas de navegação, que com seus vapores (navios movidos a vapor) cruzaram o Atlântico centenas de vezes e, por fim, os próprios imigrantes.

É preciso ressaltar que havia muita propaganda na Itália a respeito do Brasil, porém não correspondia com a realidade brasileira; para se ter uma idéia das dificuldades dos imigrantes recém chegados basta lembrar que boa parte desses imigrantes iriam substituir escravos e os custos seriam ainda menores aos contratantes.

Com a Abolição da Escravatura (1888) e a Proclamação da República (1889) acelera-se vertiginosamente a industrialização e o êxodo rural, os imigrantes passam então a compor esse fluxo rumo a urbanização.

BRASIL

A partir de 1875 vapores como “La France”, “Humberto I”, "Liban" e "Bretagne" transportaram os Stávale para o Brasil: Pasquale, Giuseppe Ângelo, Ricardo Amedeo, Nicola, Giuseppe Maria, Pietro e Vincenzo que, oriundos de Fuscaldo, desembarcaram nos portos do Rio de Janeiro e de Santos; eles foram os precursores da imigração Stávale no Mundo.

Nicola (ou Nicolaus como era batizado em latim na época) foi o primeiro imigrante Stávale da história, desembarcou em Santos - SP, no ano de 1875 aproximadamente, com a esposa Maria Giuseppa (Giuseppina) Giglio e desencadeou sua árvore genealógica brasileira. Quando Nicola e Giuseppa emigraram ao Brasil tinham uma filha chamada Venera, mas não se sabe o que aconteceu com a menina. Os descendentes de Nicola estão representados na Árvore Nicola (Brasil I) e sua ascendência na Árvore Itália I, deste Portal.

Em 15 de janeiro de 1880 desembarcou em Santos - SP, no vapor "La France", o primo Giuseppe Maria Stávale e sua esposa Cherubina Rogai (ver abaixo em ressalva), desencadeando sua árvore genealógica brasileira. Os descendentes de Giuseppe M. estão representados na Árvore Giuseppe M. (Brasil I) e sua ascendência na Árvore Itália II, deste Portal.

Também em 1880, aproximadamente, desembarcaram em Rio de Janeiro o casal Pasquale Ângelo Stávale e Julia Ravagni. Julia tinha nacionalidade austríaca, mas isso não significa necessariamente que tenha nascido naquele país pois, apesar de que a Itália já estava reunificada, a Áustria ainda dominava o norte da Itália. O alfaiate Pasquale e Julia tiveram seus filhos naquela cidade mas deslocaram-se algum tempo depois para São Paulo, onde a atividade econômica e a oferta de trabalho eram mais promissoras. São Paulo tornou-se a locomotiva da economia brasileira graças aos imigrantes, principalmente os imigrantes italianos.

Pasquale acabou tornando-se o alfaiate responsável pelo uniforme da Guarda Imperial (ver Casos Históricos) e ajudou alguns membros da família que chegaram posteriormente a instalarem-se em São Paulo, como os casos de seu irmão Giuseppe Ângelo que chegou em 1883 no vapor "Umberto I" e desencadeou sua árvore genealógica com sua esposa Angelina Marzullo, o primo alfaiate Pietro Battista Stávale que chegou aproximadamente em 1888 e desencadeou sua árvore genealógica no Brasil com duas mulheres (ver Casos Históricos) e, por último, o sobrinho Vincenzo Stávale que chegou aproximadamente em 1895 e desencadeou sua árvore genealógica casando-se no Brasil com Rosa Licursi (ver abaixo em ressalva). Todos os filhos de Pasquale e Julia foram brilhantes em suas áreas de atuação, mas um merece destaque especial - o lendário Professor Jacomo Stávale (ver ícones Biografias, Casos Históricos, Fotos e também Acervo).

O primo de Pasquale Ângelo e Giuseppe Ângelo chamado Ricardo Amedeo Stávale (originalmente registrado Amedeus Riccardus), com sua esposa Maria Vincenza Olivieri, chegaram aproximadamente em 1890 no Rio de Janeiro, fixando-se e desencadeando sua árvore genealógica nessa cidade.

Os irmãos Pasquale Ângelo e Giuseppe Ângelo, o sobrinho deles Vincenzo, o primo Ricardo Amedeo e todos os ascendentes genealógicos desses imigrantes estão representados na Árvore Itália I, deste Portal. Esses imigrantes são protagonistas do primeiro ciclo imigratório brasileiro de Stávale e os descendentes de cada um deles estão representados em suas respectivas árvores separadamente, ou seja, as árvores Pasquale (Brasil I), Giuseppe (Brasil I), Ricardo (Brasil I) e Vincenzo (Brasil I). Os outros imigrantes, Nicola, Giuseppe Maria e Pietro, também fazem parte do primeiro ciclo imigratório, mas o grau de parentesco com os outros é mais distante. Os descendentes de Pietro Battista estão representados na Árvore Pietro (Brasil I) e sua ascendência na Árvore Itália II, deste Portal. Giovanni, um dos irmãos de Pasquale e Giuseppe, juntamente com a esposa e os filhos emigraram para a Argentina (como veremos mais adiante).

No ano de 1920, em uma imigração isolada mas também motivada pela crise sócio-econômica italiana, partem de Paola - Calábria e desembarcam também no Rio de Janeiro o primo artesão Luigi Stávale, com sua esposa Giuseppina Miceli e seu irmão Ercole Salvatore. Ercole Salvatore, apesar de ter casado com Inês, não teve descendentes, ao contrário de Luigi que desencadeou sua árvore genealógica nessa cidade (ver Casos Históricos). Luigi e sua ascendência genealógica está representada na Árvore Itália III deste Portal. Os descendentes do imigrante Luigi estão representados na Árvore BR-Luigi.

E durante os anos de 1950 a 1955, devido as conseqüências do pós guerra, os irmãos Giuseppe, Giovannino, Salvatore, Antonio e Pietro, oriundos de Fuscaldo, adotaram São Paulo – Brasil para morarem e constituírem famílias, concluindo o ciclo imigratório brasileiro de Stávale até então. Giuseppe veio primeiro, depois Giovannino, em seguida Salvatore e por último vieram juntos Antonio, Pietro e a mãe Rosalbina Fillippone (o primeiro que chegava ajudava o próximo na adaptação). Dentre esses irmãos o único que veio casado foi o mais velho, Salvatore (o Maestro) que, com Maria Grazia Santoro, embarcou no vapor "Provence", em Napoli, no dia 20 de maio de 54, desembarcou em Santos no dia 5 de junho e desencadeou sua árvore genealógica em São Paulo. Os outros irmãos casaram em São Paulo e também desencadearam suas respectivas árvores genealógicas nessa cidade. Todos os seus descendentes estão representados na Árvore Brasil II e seus ascendentes na Árvore Itália II, deste Portal.

Sintetizando então a imigração Stávale brasileira, para entender melhor as disposições das árvores deste Portal:
Brasil I. Representa o 1º ciclo imigratório 1875 - 1895: Os primos Nicola (ascendência na árvore Itália I), Giuseppe M. (ascendência na árvore Itália II) e Pietro B. (ascendência na árvore Itália II). Os irmãos Pasquale e Giuseppe (ascendência na árvore Itália I), Ricardo Amedeo (primo próximo de Pasquale e Giuseppe, com ascendência na árvore Itália I) e Vincenzo (sobrinho de Pasquale e Giuseppe, com ascendência na árvore Itália I). Cada um deles em árvores individualizadas.

BR - Luigi. Imigrante de 1920, nessa árvore também está seu irmão Ercole Salvatore que não tem descendentes (ascendência na árvore Itália III).

Brasil II. Representa o 2º ciclo imigratório 1950 - 1955: Os irmãos Giuseppe, Giovannino, Salvatore, Antonio e Pietro. Todos eles em uma única árvore (ascendência na árvore Itália II).

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Em 1906 o vapor “Romanic” transportou os irmãos Natale e Vincenzo aos Estados Unidos da América (ver Casos Históricos), fixaram-se em Detroit - Michigan, protagonizando a 1ª imigração Stávale norte-americana e desencadeando suas árvores genealógicas no país, representadas na Árvore EUA I (USA I), deste Portal. Um dos netos de Natale, Ronald Xavier Stávale, tornou-se um consagrado médico de Michigan, é o responsável nesse país pelo desenvolvimento da árvore norte-americana e o representante deste Portal.

Posteriormente, em 1919, os irmãos Giuseppe e Giacomo desembarcaram em Port of New York (USA). Giuseppe, um jovem alfaiate de 17 anos não permaneceu muito tempo, após uma estadia na casa de seu tio Giacomo D'Andrea, em Cincinatti - Ohio, retornou à Itália. Em 1923 Giuseppe, dessa vez definitivamente, emigra aos Estados Unidos para encontrar seu irmão Giacomo, que morava em Birmingham - Alabama. Mais tarde os irmãos mudaram para Cincinatti - Ohio, onde desencadearam a 2ª imigração norte-americana e, conseqüentemente, a progressão genealógica que é representada na Árvore EUA II (USA II). Seus ascendentes estão representados na Árvore Itália III, deste Portal. Um irmão deles chamado Luigi viria logo após, em 1920, como veremos a seguir.

Em 03 de setembro de 1920 uma grande coincidência de nomes e data aconteceu. Trazidos do Porto de Napoli, pelo navio a vapor Duca D'Aosta, mais dois Luigi, um de 36 anos e profissão pedreiro e seu parente de 16 anos, profissão alfaiate, desembarcaram em Port of New York (USA). Luigi Salvatore (o pedreiro de 36 anos) morava em Via Croce, 8 - Fuscaldo e tinha como destino St. Limestone, 24 - Springfield (Ohio), onde morava o cunhado Giuseppe Bonavita. O outro Luigi (o alfaiate de 16 anos) morava em Corso Garibaldi, 27 - Fuscaldo e tinha como destino St. Elcat, 114 - Cincinnati (Ohio), onde estava seu irmão Giuseppe. Esse Luigi (de 16 anos) era irmão de Giuseppe e Giacomo, citados no parágrafo acima, precursores da 2ª imigração norte-americana. Nos arquivos do escritório de imigração de Ellis Island consta que os dois Luigi foram registrados erradamente pelo funcionário do escritório na época do desembarque, o Stavale transformou-se em Stavalo, porém esse erro não causou grande repercussão na árvore norte-americana. Atualmente o ramo do Luigi Salvatore (o pedreiro) está quase extinto e dentro em breve irá extinguir. Luigi Salvatore, apesar de ser casado com Maria Teresina Bonavita e terem nove filhos, estranhamente não levou a esposa e os nove filhos para a América, levou apenas os três filhos mais novos do casal: Giuseppe (nascido em 07/11/1913), Maria e Giuseppe Carmen (nascido em 05/01/1920). Tudo indica que a esposa Teresina faleceu após o parto do filho mais novo Giuseppe Carmen, então Luigi teve que tomar uma decisão drástica. Os filhos mais velhos já não precisavam mais do pai para sobreviver, podiam ficar em Fuscaldo com os parentes ou em seus próprios lares, mas os três mais novos precisavam do pai e de alguém que ajudasse a criar e educar. Luigi Salvatore então aceitou a ajuda e o convite do cunhado, que era marido da irmã de Teresina, para ir morar em Ohio - Estados Unidos. Dos três filhos de Luigi Salvatore, infelizmente, nenhum deles teve a mesma fecundidade do pai, daí a razão da iminente extinção desse ramo. A família de Luigi Salvatore e seus escassos descendentes estão representados na Árvore Itália I, deste Portal.

Em Ellis Island também existe um registro da vinda, em 1920, de um Francesco Stávale (29 anos e profissão sapateiro) que pretendia visitar um irmão chamado Nicola em Cincinatti (eles tinham uma irmã chamada Concetta). Não existem mais informações e nem conhecimento de progressão genealógica desse caso.

Finalmente, em 1972 os irmãos e também alfaiates Francesco e Carmelo, juntamente com suas esposas e filhos, adotam os Estados Unidos e as cidades Cicinnati e Columbus – Ohio como seu novo lar, concluem o 3º e último ciclo imigratório de Stávale no país e desencadeiam também suas árvores genealógicas. Rosina, tia de Francesco e Carmelo, casou-se com Grecola e viveu no Brasil algum tempo. Francesco e seu pai Nicola, que era oficial de polícia em Fuscaldo, também moraram em São Paulo durante 7 anos, depois voltaram para Fuscaldo. Francesco então casou com Maria, tiveram 3 filhos e, posteriormente, o casal e os filhos emigram para os Estados Unidos, juntamente com a decisão tomada por Carmelo. Stella, irmã de Francesco e Carmelo, com seu marido Filippo Villardo emigram para o Brasil, haviam escolhido a cidade do Rio de Janeiro para viver. A ascendência genealógica dessa família toda está representada na Árvore Itália III e a descendência de Francesco e Carmelo na Árvore EUA III (USA III), deste Portal.

Para completar, mais um Luigi Stávale emigra aos Estados Unidos de forma isolada e independente, escolheu Los Angeles - Califórnia para viver. Esse Luigi é irmão de Francesco, o último Stávale que ainda mora em Fuscaldo. Seus ascendentes estão representados na Árvore Itália I. Não há informações sobre possível descendência desse Luigi.

É preciso enfatizar que as famílias de todos os imigrantes eram oriundas de Fuscaldo (ver História – Stávale), entretanto, houve casos em que a origem genealógica nessa cidade da província de Cosenza – Calábria – Itália, foi em um passado mais remoto; os irmãos Natale e Vincenzo por exemplo, eles nasceram e moravam em San Giacomo di Cerzeto antes de emigrarem aos Estados Unidos da América.

Sintetizando então a imigração Stávale norte-americana, para entender melhor as disposições das árvores deste Portal:

EUA I (USA I). Árvore desencadeada pelos irmãos imigrantes Natale e Vincenzo em 1906. Ascendência em árvore Itália III.]

File of the immigration of the family Stávale of the United States of America (Tree USA I, origin in Italy III), developed by Ron. CLICK HERE.

EUA II (USA II). Árvore desencadeada pelos irmãos imigrantes Giuseppe, Giacomo e Luigi em 1920. Ascendência em árvore Itália III.

EUA III (USA III). Árvore desencadeada pelos irmãos imigrantes Francesco e Carmelo em 1972. Ascendência em árvore Itália III.

ARGENTINA

No início do século XX aconteceu as imigrações Stávale na Argentina:
Nos primeiros anos de século XX, chegam Nicola (irmão de Natale e Vincenzo, imigrantes dos Estados Unidos) com a esposa Amelia e o filho Giuliano (Julian); Nicola depois volta para San Giacomo di Cerzeto mas Giuliano fixa-se na Argentina e desencadeia sua árvore genealógica no país; sua descendência está representada neste Portal como Árvore AR III (Argentina III) e sua ascendência está representada na Árvore Itália III. Giuliano (imigrante argentino), Luigi (imigrante brasileiro), os irmãos Francesco e Carmelo (imigrantes dos Estados Unidos) e os irmãos Natale e Vincenzo (também imigrantes dos Estados Unidos) possuem grau de parentesco próximo e a ascendência genealógica deles está representada na Árvore Itália III, deste Portal.

Provenientes de Fuscaldo, Giovanni Maria Pietro (o Juan, nome similar adotado na Argentina) com a esposa Francesca Seta e seus 3 filhos: Pasquale Zaccaria (o Pascual), Maria Fiorina Concetta (a Concepcion) e Giacomo Antonio (o Santiago) desembarcam na Argentina aproximadamente em 1900 e desencadeiam a árvore genealógica no país, em Buenos Aires. O filho de Giacomo (Santiago), o protético Juan Carlos Stávale, ao sentir um chamamento patriótico e a consciência de que poderia ajudar o povo de seu país, entra na política, elege-se deputado e depois um ilustre senador da República Argentina. O imigrante argentino Giovanni era irmão dos imigrantes brasileiros Pasquale e Giuseppe, por isso sua ascendência genealógica está representada na Árvore Itália I, e a descendência está representada na Árvore AR I (Argentina I), deste Portal.

E por fim, aproximadamente em 1930 Giuseppe Stávale (José) e esposa Angela Catalina Francesi, de forma isolada e proveniente de Castrovilla (porém sua família, como todas as demais famílias Stávale, no passado mais remoto era oriunda de Fuscaldo), também adota a Argentina para constituir família, desencadeando sua árvore genealógica, que está representada neste Portal como AR II (Argentina II) e encerrando o ciclo imigratório argentino. A ascendência é desconhecida por falta de informações. Sara, filha de Giuseppe e Angela conta que seu pai foi ajudado por seu tio Pasquale (imigrante do Brasil) a fixar-se na Argentina, em Buenos Aires.

Sintetizando então a imigração Stávale argentina, para entender melhor as disposições das árvores deste Portal:
AR I. Árvore desencadeada pelos imigrantes Giovanni Maria Pietro Stávale, esposa e filhos, aproximadamente em 1900. Ascendência em árvore Itália I.

AR II. Árvore desencadeada pelo imigrante Giuseppe, aproximadamente em 1930.

AR III. Árvore desencadeada pelos imigrantes Nicola, esposa e o filho Giuliano, aproximadamente em 1906. Ascendência em árvore Itália III.

EXPLICAÇÕES E CASOS IMPORTANTES

9 árvores genealógicas, publicadas neste Portal Eletrônico da Família Stávale, representam as descendências dos imigrantes do Brasil (13 imigrantes em 9 árvores), 3 representam as descendências dos imigrantes da Argentina (6 imigrantes em 3 árvores) e 3 representam as descendências dos imigrantes dos Estados Unidos da América (7 imigrantes em 3 árvores).

3 árvores italianas, Itália I, II e III representam as ascendências dos imigrantes e as famílias dos parentes que vivem na Itália.

E todas as árvores convergem retroativamente para a árvore da primeira família Stávale e do primeiro Stávale batizado, a Árvore Gênesis, o início de tudo (ver ícone História - Stávale contendo o surgimento e a genealogia).

As fotos dos navios dos imigrantes Stávale podem ser vistas no ícone Acervo e as fotos dos imigrantes Stávale no ícone Fotos - Os Imigrantes.

Existem registros de Stávale que desembarcaram no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos, durante o final do século XIX e início do século XX, cujos destinos são ignorados, o fato é que nesses casos não houveram progressões genealógicas conhecidas nos países de chegada. Uns vieram da Itália para visitar parentes e depois retornaram, uns vieram para sondar ou escolher o lugar para emigrar e outras foram imigrantes do sexo feminino, mas que ao adotar somente o sobrenome do marido interrompeu os registros de sua descendência e genealogia. É o caso misterioso de Maria Stávale por exemplo, ela tinha 48 anos quando chegou ao Brasil com seu filho Ângelo, de apenas 11 anos, em 19/06/1888; desembarcaram no Rio de Janeiro mas tinham como destino a cidade de Rio Claro - SP. Não sabemos mais nada sobre Maria e seu filho, nessa época as autoridades brasileiras de imigração não tinham muita preocupação em anotar todos os dados e informações dos imigrantes, os norte-americanos tinham um pouco mais de interesse (apesar de que algumas vezes anotavam erradamente), sendo então possível rastrear os imigrantes com mais facilidade.

De acordo com o imigrante Salvatore Stávale (o Maestro) um dos irmãos de seu avô era importante membro da Maçonaria, tinha residência em Fuscaldo e nos Estados Unidos e costumeiramente viajava entre os dois países, até que um dia, aproximadamente em 1905, retornou à Itália para participar das comemorações de São Francesco. A esposa aguardava sua chegada no porto, mas ele não desceria do navio. Seu corpo nunca foi encontrado e a viúva ficou recebendo uma generosa pensão da Maçonaria até o dia de sua morte, ela nunca explicou ou questionou o desaparecimento de seu marido.

Aliás, a violência foi coadjuvante em várias cenas da história da família Stávale, algumas dessas cenas estão relatadas no ícone "Casos Históricos" deste Portal: Mortes violentas, Stávale que foi assassinado, Stávale que assassinou, mortes de membros da família provocadas por cavalo, mula etc... Entretanto, talvez a morte mais absurda teve como causador e vítima, ao mesmo tempo, Tommaso Stávale em 1818. Casado com Anna Lottari tiveram 3 filhos: Francesco (nascido em 1795), Maria Teresa (nascida em 1804) e Antonio (nascido em 1806) que casou com sua prima Maria Caterina Stávale, aliás não foi o único a casar com prima. Após a morte de Anna Lottari, Tommaso casou com Anna Brunelli, a relação entre pais e filhos já não era mais a mesma. Então, sua filha Maria Teresa, com apenas 14 anos, revelou um segredo que causaria escândalo à sociedade provinciana da época e profundo desgosto ao pai. Tommaso não quis mais viver, resolveu deixar de existir em 12 de agosto. Para compensar, Maria Teresa casa com Francesco Scofano em 4 de dezembro.

Atualmente ocorrem alguns registros de Stávale morando em outras partes do Mundo como: Bélgica (descendentes de Prudenzia e Alfredina), Canadá (Silvino ou Silvestri e família), Alemanha (Mario com família e Roberto, Lina, Umile e Alessandra), Tokio - Japão (Giuseppe, a serviço das Forças Armadas dos Estados Unidos, a esposa Yoko e a filha Sara), Finlândia (Richard) e Alaska - Estados Unidos (família de Richard).

Dois fatos curiosos ocorreram nos Estados Unidos:
Um foi no século XIX, durante ou após o período escravocrata, quando um negro adota o sobrenome de seu senhor. O nome de seu senhor, proveniente da Inglaterra, era Ben Stovall, ao ser adotado pelo negro foi descaracterizado, provavelmente devido a uma indução gramatical característica do seu idioma africano, tornando-se Stavale. Existe então a ocorrência, no sul dos Estados Unidos (Florida), de uma família Stavale ilegítima da raça negra.

O outro fato aconteceu na década de 50, quando ocorreu a 2ª grande imigração de italianos nos Estados Unidos da América, as conseqüências do pós guerra foram o principal motivo. Nesse período o fato curioso foi protagonizado por um imigrante do norte da Itália que, deliberadamente, alterou (ou foi alterado) o seu sobrenome Stavoli (ou algo parecido) para Stavale ao entrar no país. Especula-se a real motivação para tal atitude, o certo é que isso originou uma árvore genealógica paralela e falsa no país, criada dentro de uma repartição pública, com repercussões genealógicas em New York, New Jersey, Flórida, Colorado e South Carolina.

OCORRÊNCIAS NA ITÁLIA

Após toda essa emigração italiana, destacadamente a ocorrida no ciclo emigratório do final do século XIX e início do século XX, o país foi muito esvaziado e os Stávale da Itália quase foram extintos. Hoje existem duas ocorrências de Stávale na Lombardia, uma em Trentino Alto Adige, uma em Emilia Romagna, uma em Veneto e 24 na Calabria nas cidades de: Altomonte (1), Ancona (1), Bisignano (7) cidade onde o primo Elio Stávale foi eleito Vereador em 2006, Cassano Allo Ionio (4), Cerzeto (1), Cosenza (2), Fagnano Castello (1), Marano Principato (2), Mendicino (1), Montalto Uffugo (1), Scalea (1) e Fuscaldo, berço genealógico da família Stávale, com apenas 3 ocorrências: as famílias de Francesco e de sua irmã Ilvia e a família de Maria Stávale que, quando casou com Orlando Cosentino, adotou somente o sobrenome do marido e interrompeu a progressão genealógica.

Fuscaldo (ver os ícones "História - Fuscaldo" e "Fotos - Fuscaldo") hoje tem perto de 8.300 habitantes apenas e sua principal fonte de recursos financeiros é o turismo na temporada. A população dessa cidade é uma grande família, onde os sobrenomes tradicionais vão se repetindo sucessivamente nos registros de nascimentos, batizados, casamentos e nas árvores genealógicas. O casamento de um membro da família Stávale com um membro da família Santoro ou Seta, por exemplo, ocorreu repetidas vezes no passado na mesma época e também em épocas distintas. Porém, infelizmente, não ocorrerá mais no futuro, Fuscaldo está prestes a perder um membro da pequena comunidade Fuscaldense, pois a extinção dos Stávale na cidade é iminente, se nada for feito para reverter.

R.J.S.

RESSALVAS

Quando ocorreu a emigração dos Stávale na Itália com destino ao Brasil no final do século XIX Ângelo (irmão dos imigrantes Pasquale e Giuseppe) estava em boa situação financeira, preferindo ficar; entretanto, o temperamento forte e intempestivo do calabrês traçaria o destino de seu filho Vincenzo. O jovem revoltou-se contra a determinação de seu pai e também emigrou (no início do século XX), havia decidido ficar com seus tios em São Paulo. Algum tempo depois conheceu Rosa Licursi e apaixonou-se, moça pobre e sem dotes causou a indignação de seu pai, que veio a São Paulo tentar dissolver a união do casal. Vincenzo mais uma vez estava decidido, seu pai retornou a Itália sem sucesso e os jovens apaixonados se casaram em 14 de dezembro de 1901. Nunca mais pai e filho voltariam a se ver.

Giuseppe Maria, jovem pedreiro técnico-artístico, cujos trabalhos podem ser vistos até hoje no antigo Colégio Caetano de Campos (Praça da República - SP) e Cemitério São Paulo (ver Acervo) e cujo ofício herdou ao seu filho Nicola, embarcou no vapor “La France” casado, assim como demais Stávale que vieram ao Brasil. Porém, o destino foi cruel para com sua tão jovem esposa, durante a travessia do Atlântico ela contraiu a “peste” (provavelmente tifo ou bubônica, flagelos que na época dizimavam populações em terra e muitos emigrantes durante a longa viagem) e aconteceu o pior, após uma breve cerimônia religiosa seu corpo foi lançado ao mar. Giuseppe ficou desolado, além de amá-la sabia que sua vida no Brasil não iria ser fácil sem uma companheira para ajudar a vencer os obstáculos. Entretanto, no vapor “La France” haviam muitas jovens esperançosas e, ainda durante o trajeto, uma delas acabou conhecendo Giuseppe. A praticidade então uniu-se à paixão, Giuseppe M. Stávale e Cherubina Rogai desembarcaram no porto de Santos - SP, em 15 de janeiro de 1880, casados.

R.J.S.